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A busca pela causa do câncer

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

É muito comum que ao receber o diagnóstico de câncer, a pessoa questione o que o causou.


Diante de uma situação ameaçadora, de quebra de expectativas e impresivibilidade, buscamos nos firmar em algo paupável, que traga sentido. Entretanto, o câncer é uma doença complexa e tratar sua causa de forma simplista, pode gerar mais sofrimento e culpa desnecessária.


Primeiramente, é preciso entender que o câncer não tem uma causa única, ele é considerado uma doença multifatorial. Isso significa que seu desenvolvimento pode estar relacionado a uma combinação de diversos fatores.


Alguns fatores de risco são ambientais ou externos, o que inclui os nossos hábitos de vida. Entre eles estão a exposição excessiva à radiação solar (ou a outros tipos de radiação) e o contato com substâncias tóxicas ou vírus. O consumo de cigarro e álcool, a falta de atividade física, uma alimentação inadequada — rica em ultraprocessados como refrigerantes, biscoitos e fast-food — e até mesmo a poluição estão relacionados com o risco de desenvolver a doença.


Por outro lado, alguns fatores de risco são biológicos ou internos. Entre eles, a predisposição genética, o avanço da idade, desequilíbrios hormonais e fraquezas do sistema de defesa do corpo (imunológico).


E a quanto à nossa saúde mental? É considerada um fator de risco?


Não existe nenhuma evidência científica robusta que comprove que uma pessoa desenvolveu câncer apenas porque passou por um trauma, tem depressão ou vive estressada, como o senso comum tende a dizer.


Porém, a saúde mental se relaciona com o risco de câncer por meio de como afeta o comportamento — por exemplo, pessoas enfrentando quadros graves de depressão, podem ter hábitos nocivos para aliviar o sofrimento, como o consumo de álcool, tabagismo e má alimentação.


Outra forma que a saúde mental pode se relacionar com o risco de câncer é pelo impacto biológico do estresse crônico. Um corpo em estresse prolongado fica em constante estado de "luta ou fuga", o que aumenta os níveis de hormônios, como o cortisol. Isso pode causar uma inflamação crônica e enfraquecer o sistema imunológico. Tal quadro não irá causar um câncer, mas pode tornar mais difícil a identificação e destruição de células defeituosas que naturalmente surgem no nosso corpo.


Essas relações valem não só para o câncer, mas também para outras doenças. E, para além do risco de adoecer, prejudicam a qualidade de vida de modo geral.


O conhecimento sobre os fatores de risco auxilia principalmente na nossa capacidade de prevenção. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que cerca de 80% a 90% dos casos de câncer estejam associados a causas externas, o que reforça a importância de adotar hábitos saudáveis no dia a dia para reduzir os riscos da doença.


Entretanto, reduzir riscos não significa eliminá-los, e a verdade é que muitas pessoas saudáveis, sem fatores de risco evidentes, também podem ter câncer. Além disso, sempre haverá algo que nos escapa em algum momento. As demandas da vida são inúmeras e entre manter rotina funcional, com suas responsabilidades, mas também encontrar qualidade no viver, é impossível dar conta de tudo.


Outra verdade dolorosa é que sendo seres vivos, estamos sujeitos a adoecer (e morrer) a qualquer momento.


Certa vez escutei de um paciente internado que a forma que ele encontrou de lidar com o diagnóstico de câncer foi mudando a perspectiva de "por que eu" para "por que não eu?" e podendo se voltar para o que o ajudava a enfrentar a doença.


Concluindo, existe uma complexidade biológica no câncer, não cabendo julgamentos simplistas, como achar que o câncer surgiu por falta de cuidado, punição emocional ou até mesmo espiritual.


O acompanhamento psicológico pode ajudar a transformar esse cenário de tantas incertezas. Em vez de buscar culpados ou tentar controlar o incontrolável, a psicoterapia oferece um espaço seguro para o acolhimento do medo, da raiva e da tristeza que o diagnóstico naturalmente desperta, e para a construção de uma forma singular de atravessar essa experiência, buscando sentido e prazer possível nesse novo viver.


Referências e mais informações:


 
 

Cuidado Psicologia. CNPJ: 51530674/0001-39

Psicóloga Simone Santana Gomes. CRP: 06/110051

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